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Mercado Secundário: Como Funciona a Compra e Venda de Títulos

Mercado Secundário: Como Funciona a Compra e Venda de Títulos

06/01/2026 - 22:29
Fabio Henrique
Mercado Secundário: Como Funciona a Compra e Venda de Títulos

O mercado secundário desempenha um papel fundamental para investidores que desejam ter liquidez antes do vencimento dos seus títulos e aproveitar oportunidades de ganhos. Compreender seu funcionamento é essencial para quem busca maximizar retornos e gerenciar riscos.

O que é o mercado secundário?

O mercado secundário é o ambiente onde investidores compram e vendem ativos financeiros entre si, sem interferência direta do emissor. É nele que ocorrem as negociações após a emissão inicial de títulos.

Nesse contexto, oferta e demanda determinam o preço de cada título, criando um espaço dinâmico e interligado com o cenário econômico e expectativas de mercado.

Diferença entre mercado primário e secundário

Embora ambos sejam essenciais ao sistema financeiro, primário e secundário apresentam características distintas:

Enquanto o primário abastece as empresas e o governo com capital, o secundário oferece flexibilidade para ajustes de carteira sem impactar diretamente o emissor.

Como funciona a negociação de títulos

A negociação no mercado secundário de títulos pode ocorrer de duas formas principais, garantindo acesso e praticidade:

  • Por meio de negociação de balcão ou plataformas digitais oferecidas por corretoras e bancos.
  • Via assessores de investimentos que intermediam operações especiais e ofertas exclusivas.
  • Utilizando sistemas eletrônicos de negociação, onde ordens de compra e venda são registradas e executadas automaticamente.

Em todas as situações, o investidor pode vender títulos antes do vencimento, seja para aproveitar valorização ou para liberar recursos em momentos de necessidade.

Tipos de títulos negociados no mercado secundário

No mercado secundário, uma variedade de ativos está disponível para negociação:

  • Títulos Públicos Federais: Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+.
  • Títulos Privados: CDBs, LCIs, LCAs e debêntures de diferentes emissores.
  • Ações e BDRs: Quando empresas abrem capital ou oferecem recibos no Brasil.
  • Fundos Imobiliários: Certificados de recebíveis e cotas negociadas em bolsa.

Cada categoria possui peculiaridades de risco, liquidez e rentabilidade, que devem ser avaliadas conforme o perfil de investimento.

Papel dos intermediários

Corretoras, bancos e assessores de investimentos atuam como ponte entre compradores e vendedores. Eles podem operar como agentes de custódia ou assumir posição de contraparte, promovendo spread bancário reduz o retorno do vendedor quando compram diretamente do investidor.

Esses intermediários também fornecem análises, relatórios e recomendações, colaborando para decisões mais informadas e alinhadas aos objetivos financeiros.

Liquidez e spread no mercado secundário

A liquidez refere-se à capacidade de comprar e vender sem impacto no preço do ativo. Quanto maior o volume negociado, menor tende a ser o spread – a diferença entre preço de compra e venda.

No Brasil, a liquidez está concentrada em títulos e vencimentos mais demandados pelos dealers, enquanto outros papéis podem apresentar spreads elevados e dificuldade de negociação.

É importante avaliar esse componente, pois custos altos de transação podem reduzir significativamente o retorno final.

Riscos envolvidos na compra e venda de títulos no mercado secundário

Investir no mercado secundário envolve alguns riscos que precisam ser compreendidos:

  • Risco de inadimplência: possibilidade de calote em títulos privados.
  • Risco de mercado: flutuação de preços conforme cenário econômico.
  • Risco de liquidez: dificuldade para negociar em prazos e volumes desejados.
  • Risco de spread e deságio: penalizações no retorno devido a custos de intermediação.

Gerenciar esses riscos exige diversificação de posições e atenção ao perfil de cada emissor e vencimento.

Impacto do ambiente econômico e da taxa de juros

O valor dos títulos no mercado secundário reflete as expectativas sobre políticas monetárias e inflação. Geralmente, valorizam quando as taxas caem no mercado e sofrem deságio se as taxas sobem.

Os papéis podem ser marcados a mercado diariamente, ajustando seus preços conforme indicadores econômicos, decisões do Banco Central e expectativas de investidores.

Vantagens e desvantagens do mercado secundário

Entre as principais vantagens, destacam-se:

• Possibilidade de resgate antecipado em momentos de necessidade.

• Acesso a condições de investimento potencialmente mais atrativas que no primário.

• Maior diversificação de prazos e emissores, permitindo ajustar estratégias.

No entanto, o mercado secundário também apresenta desvantagens:

• Dependência de intermediários que aplicam custos sobre as operações, gerando dependência de intermediários para efetivar transações.

• Possibilidade de prejuízo se o título for vendido em momento de altas taxas de juros.

• Liquidez variável, menor do que a observada em ações.

Exemplos práticos e casos reais

Um investidor que adquiriu CDBs emitidos a 15% ao ano pode negociá-los com deságio se o emissor enfrentar dificuldades, ajustando o rendimento ao perfil de risco atual.

No mercado de títulos públicos, o Tesouro IPCA+ com juros semestrais é o único indexado à inflação disponível no secundário, atraindo quem busca proteção real.

Em 2022, o volume negociado de títulos públicos na B3 chegou a R$ 18,8 bilhões, enquanto títulos privados movimentaram R$ 28,1 bilhões, demonstrando a relevância desse segmento.

Compreender essas dinâmicas e utilizar ferramentas de análise permite que investidores tomem decisões embasadas, maximizando oportunidades e minimizando riscos.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

Fabio Henrique